sábado, 10 de abril de 2010

"Um dia olharão para nossas fotos (...)"

Ouço bem, durmo razoavelmente. Notas de cabeceira e Gim e tônica nunca foram o que me levaram adiante. Tenho um plano para mim, que não envolve me matar no final. Não quero um final, para ser bem franco. Não quero o brilho dos olhos dos gatos em meus olhos, nem acredito que eu tenha luz, como gases que se firmam no pré-eterno. Vejo-me hoje, como que só faltando o escalpo, o restante, enxergo perfeitamente.

Quando um som me faz ter a pele mais rente aos ossos, acredito que a luz é aquela, que achamos tão linda, porque não está dentro de nós. Meus pensamentos mais altruístas em relação ao narcisismo que me chateia, seriam algo como me pensar como minha garota, como se ela não conseguisse parar de olhar para os olhos do espelho. Azuis, azuis... É a barganha que fazemos com a beleza, ao tentarmos ver-nos nos reflexos dos olhos de alguém que lacrimeja; perceber isso é ter senso de ridículo. Isso é bom! Pode dar-nos o que queremos... Mais e mais shows. Hahuaheha.

Ao meu ver, ninguém deveria culpar-se pelos próprios pensamentos. Nem martirizar-se, ou apagar-se pelos tais. Eles são resultados de sinapses, e não de viagens intergalácticas à Planetas-Pandoras..! (Eco...). Não sei como alguém poderia passar a vida inteira sem pensar no espaço. “Nem mesmo um cego, surdo-mudo, que nunca sentiu a própria pele poderia não pensar no tal?”. Bom, acho que não.

Nem mesmo o amor parece ser tátil. Dá pra amar com luvas, e sentir com óculos. E tem algo que me faz lembrar que o “Chamado Selvagem” nunca foi um sonho, ou uma utopia, sempre foi, e nunca deixará de ser, para mim, o que a África me grita.

Um dia olharão para nossas fotos, e sentirão empatia, e dirão: “Nossa, foto é uma coisa muito esquisita”.

5 comentários:

  1. Mas fotos são coisas esquisitas.
    Não?

    ResponderExcluir
  2. Mas fotos são coisas esquisitas! [2] Se pararmos pra pensar.. muito estranho isso de enquadrar a gente num pedaço de papel e congelar nossa vida. Nosso instante-pensamento que não nos reprime, ou não nos deveria reprimir.. porque mostra o nosso pulso-sinapsioso. Mas tudo isso você já disse.

    Só digo então, que sempre acho lindo quando você fala da sua garota. Dos reflexos e dos olhos. Da poesia musicalizada e vice-versa.

    Bom respirar aqui. Tragar um pouco das suas letras.. abraços, Rafael!

    ResponderExcluir
  3. Não me fale de sinapses, me lembra a tal da neuropsicologia.
    Eu gosto de fotos, deveríamos tirar mais, não acho estranho, nós sempre acabamos nos acostumando.
    As fotos podem congelar uma lembrança bonita que pode nunca mais voltar, e como vamos saber se lembraremos mais tarde sem as fotos? Parece que a gente esquece as coisas boas e só se lembra das ruins, pelo menos comigo é assim.

    Tenho muito orgulho de você, Rockabillyblues.

    ResponderExcluir
  4. O amor também não me parece tátil. Em relação às fotos...tenho uma certa agonia de pensar que algum momento foi supostamente eternizado. Fotos não são só óticas, mas a partir delas a gente sente o sabor, o cheiro, a alegria ou a tristeza do momento que se foi fotografado.
    É...talvez foto seja algo muito estranho!

    Adoro seus textos, principalmente por ele não ser linear, eles me parecem uma fotografia de seus pensamentos.:)

    "Dai-me aqui seus pensamentos", alguém um dia me disse.

    Grande beijo

    ResponderExcluir
  5. Eu ao contrário acho a foto uma coisa natural... Não algo esquisito! Como dizem uma imagem fala por mil palavras, ela tem esse poder! Talvez o esquisito nas fotos sejam nós mesmos... que tentamos eternizar um falso sorriso! Xis...

    Muito Rafael

    abraços

    ResponderExcluir